Pesquisa mostra que empresas reagem rápido à pandemia e estão atentas aos negócios

As empresas brasileiras não contavam com a proporção do impacto da Covid-19, mas souberam reagir rápido. Neste momento, elas estão preocupadas com seus funcionários, atentas ao encaminhamento da crise e dedicadas à continuidade dos negócios. Essas são algumas das conclusões da “Pesquisa Covid-19: a atuação do Conselho de Administração e do Comitê de Auditoria”, produzida pela KPMG.
De acordo com os dados, em apenas duas semanas a porcentagem de companhias que tinham avaliado os potenciais impactos do vírus aos negócios saltou de 16% para 83%. As que desenvolveram um plano de gerenciamento de crise específico para pandemia evoluíram de 9% para 83%. Os resultados comparam respostas de cerca de 100 conselheiros de administração e membros de comitês de auditoria apresentadas no final de março com respostas anteriormente apresentadas por estes executivos no dia 10 do mesmo mês.
Objetivo da pesquisa
“Diante do rápido desdobramento dos eventos relacionados à pandemia e das enormes implicações do isolamento social para o ambiente de negócios, decidimos realizar esta pesquisa. O objetivo é repetir a iniciativa ao longo da crise, pois acreditamos que a troca de experiências e informações é ainda mais relevante nesse período”, afirma Sidney Ito (Foto), CEO do ACI Institute Brasil e sócio-líder de Consultoria em Riscos e Governança Corporativa da KPMG no Brasil e na América do Sul.
A preocupação com os funcionários ficou evidente com o fato de que, entre o dia que precedeu o anúncio da pandemia, 10/3, e as duas semanas subsequentes, a porcentagem de organizações que havia limitado viagens passou de 13% para 84%. O fechamento temporário de escritórios e fábricas saltou de zero para 61% no mesmo período.
Busca de recursos no caixa
Outro dado relevante é que a maioria das empresas brasileiras não estão recorrendo ao enxugamento de seus quadros. Para manterem o capital de giro, metade delas (51%) estão buscando recursos no caixa existente e um terço (30%) estão renegociando prazos com fornecedores. Além disso, a maioria das respondentes (35%) disse que a empresa em que atua possui mais de seis meses de caixa disponível para despesas e gastos operacionais.
A maioria (73%) dos respondentes atuais disseram que um comitê de crise foi instalado para lidar com os desdobramentos da Covid-19, mas 26% disseram que as empresas em que atuam não o fizeram. No primeiro levantamento, quando questionados sobre medidas da companhia em resposta ao coronavírus, a maioria (46%) disse que, naquele momento, as empresas não haviam feito nada.
No dia 10 de março, 58% dos conselheiros e membros de comitês de auditoria ainda não haviam tratado o tema com os gestores da companhia, 22% haviam tratado e 20% não souberam responder. Nesta nova pesquisa, realizada no final de março, a ampla maioria dos respondentes (90%) disseram que trataram do tema com os demais administradores, mas 8,2% não o fizeram e 1,4% não souberam responder.
Maior risco é o varejo
Setorialmente, o varejo foi apontado como aquele de maior risco de continuidade, com 31% das respostas, embora os dados evidenciem que a pandemia gera preocupações em todos os setores. Quase um terço (28%) dos atuais entrevistados disseram que não veem risco de continuidade para os negócios.








