Anuário elaborado pelo Sebrae traça perfil dos trabalhadores no país

Anuário elaborado pelo Sebrae traça perfil dos trabalhadores no país

O Sebrae lançou, na primeira quinzena de dezembro, o novo Anuário do Trabalho nos Pequenos Negócios. O documento traça um panorama completo da geração de empregos pelo segmento e compara a atuação das micro e pequenas empresas com as médias e grandes empresas. Elaborado em parceria com o Dieese, há dez anos, o Anuário é uma importante ferramenta para a elaboração de estudos, análises e de políticas públicas que incrementem o empreendedorismo no país e fomentem a ampliação da geração de empregos.

Construído com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério da Economia, de 2018 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) o documento identifica, em suas 327 páginas, as diferenças salariais entre homens e mulheres, a migração de trabalhadores para o interior, a escolaridade de trabalhadores, empreendedores e trabalhadores por conta própria, além proporcionar informações sobre a quantidade de empresas, empregadores e de empregos por estados e regiões, entre outras.

“A equipe de Gestão Estratégica do Sebrae dedicou-se à análise desse conteúdo para criar um material histórico e que confirma a importância dos pequenos negócios na economia brasileira, com a geração de empregos, manutenção da massa salarial e redução das desigualdades”, comenta o presidente do Sebrae, Carlos Melles (foto).

O Anuário confirma o aumento do número de micro e pequenas empresas e indica que, mesmo com uma leve queda de 3,2% (em 2018), o setor não perdeu relevância como fonte de geração de emprego e renda. De acordo com dados do Sebrae, esse segmento é responsável por 54% dos empregos brasileiros e por 44% da massa salarial dos trabalhadores.

Ainda é possível identificar, a partir dos dados da publicação, que a remuneração média real dos empregados nas micro e pequenas empresas tem registrado um aumento superior ao das médias e grandes empresas. Entre os anos de 2011 e 2018, os trabalhadores dos pequenos negócios viram seus salários serem valorizados em 11,2% (quase três vezes mais do que os das médias e grandes empresas, que no mesmo período tiveram um crescimento de 4,4%). Isso fez com que a diferença salarial entre esses dois segmentos caísse quase dez pontos percentuais, passando de 58% (2011) para 48,3% (2018).

Mulheres

As micro e pequenas empresas também exercem um importante papel na redução das desigualdades de gênero no Brasil, pois é nelas que existem as menores diferenças salariais entre homes e mulheres. É também nas MPE que tem se dado uma maior participação das mulheres na função de empregadoras. “Isso significa que os pequenos negócios são mais inclusivos e menos sexistas dos que as médias e grandes empresas”, pontua o presidente do Sebrae.

Apesar dos homens ainda ganharem mais do que as mulheres, tanto em empresas de pequeno porte quanto nas de médio e grande porte, as diferenças salariais entre os dois gêneros nas médias e grandes empresas é duas vezes superior quando comparado com as micro e pequenas empresas. Os homens empregados nas MGE têm remuneração 30,1% maior. Já nas MPE, essa diferença cai para 14,5%.

Fato curioso é que as mulheres que trabalham na construção civil, um universo considerado culturalmente masculino, são mais bem remuneradas. Na Indústria é onde está a maior diferença entre as remunerações dos homens e das mulheres (27,4%), enquanto o Comércio registra a menor diferença (10,6%).

Os salários delas também têm sido mais valorizados nos pequenos negócios. De 2011 a 2018, a massa de remuneração real dos empregados do sexo masculino nas MPE registrou aumento de 10,8% e a das mulheres, 24,5%. Elas são maioria no setor de Serviços, onde correspondem a 52,4% dos trabalhadores desse segmento, que tem apresentado o maior aumento na participação da massa salarial dos empregados entre 2011 e 2018 (12,9%).

A participação das mulheres no total de empregadores também apresentou um incremento nesse segmento. Entre 2012 e 2018, a proporção de mulheres nessa situação passou de 27,6% para 31%. Na categoria “conta própria”, observou-se o mesmo movimento, com a participação das mulheres tendo aumentado de 32,6% (2012), para 34,9% (2018). “Apesar delas ainda não serem maioria, temos acompanhado essa tendência de crescimento e acreditamos que esse é um quadro que deve se manter, mesmo com a influência da pandemia do coronavírus”, explicou Carlos Melles.

Confira outros números do Anuário

  • O número de MPE subiu 8,5%, de 2009 a 2018, passando de 6.585 mil (2009) para 7.142 mil (2018). No entanto, de 2015 a 2018, houve redução de 3,2% desse quantitativo, com 239 mil MPE fechando as portas.
  • No período de 2009 a 2018, a participação das MPE do Comércio caiu de 47,1% (2009) para 38,3% (2018), ao passo que a participação das MPE do setor de Serviços aumentou de 34,1% para 41,7% no mesmo período. Com isso, o setor de Serviços superou o Comércio e passou a concentrar a maior parcela de MPE.
  • O número de empregados nas MPE passou de 14.968 mil (2009) para 17.786 mil (2018), alta de 18,8% no período e geração de 2,8 milhões de empregos formais. Porém, de 2014 (ápice do emprego nas MPE) a 2018, houve redução de 5% nesse indicador (perda de 920 mil postos de trabalho).
  • O Comércio é o que concentra a maior parcela das pessoas que estão empregadas nas MPE (37%). Além disso, de todas as pessoas que trabalham no Comércio, 71,7% estão em MPE e 28,3% em MGE.
  • De 2009 a 2018, houve migração do emprego das capitais para o interior. Em 2009, 64,3% dos empregados do sexo masculino estavam no interior do país e, em 2018, esse percentual passou para 67,1%.
  • O mesmo ocorreu com as trabalhadoras, com os percentuais das que estavam no interior passando 69,1% (2009) para 71,4% (2018).
  • As MPE do setor de Serviços foram as que registraram o maior aumento na participação da massa salarial dos empregados entre 2011 e 2018 (+12,9%), já as MPE da Construção Civil computaram a maior queda (-27%).
  • De 2012 a 2018, o número de Empregadores aumentou 26,6%, enquanto o de Conta Própria subiu 14,9%. Com isso, a diferença entre os dois caiu de 82,3% para 80,8%, no período.
  • A grande maioria dos empregadores (72,2%) está concentrada na faixa etária de 35 a 64 anos.
  • A maioria dos “Conta Própria” (65,5%) também se concentra na faixa etária entre 35 e 64 anos.
  • A maior parcela dos empregadores tem ensino médio completo ou superior incompleto (36,4%, em 2018) e se manteve constante no período de 2012 a 2018. Entretanto, o percentual dos que têm ensino superior completo subiu de 29,5% (2012) para 34,8% (2018).
  • Já a maior parte dos “Conta Própria” (34,3%, em 2018) tem ensino fundamental incompleto.
  • Destaque-se que o percentual dos Conta Própria que têm ensino fundamental incompleto registrou queda expressiva, passando de 43,4% (2012) para 34,3% (2018), enquanto o percentual dos que possuem ensino médio completo e superior incompleto subiu de 24,3% para 32,5% no mesmo período.
  • A região Sudeste foi a que registrou o maior aumento de empregadores do sexo feminino, de 2012 a 2018 (58,7%), ao passo que o maior aumento de empregadores do sexo masculino foi verificado na região Norte (29,7%) no mesmo período.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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