Levy: refém das circunstâncias

Fico com pena do Levy. Um bom economista, profissional bem sucedido, largou a sua confortável posição na diretoria do Bradesco para, como ministro da Fazenda, tentar colocar a economia no rumo certo.  Não sabia onde iria pisar. Descobriu que o terreno era pantanoso. Deparou-se com um lodo só, representado pelo governo petista, ignorante e ideologicamente comprometido. Pensou que conseguiria acertar as contas reduzindo acentuadamente as despesas de custeio, caminho certo para o equilíbrio fiscal. Não encontrou ambiente para isso, porque o governo não quer parar de gastar e só concorda em cortar investimentos.

Levy deve estar desesperado, aceitando até o aumento de impostos de todos os tipos. Não pode sair do governo, porque se sair os mercados interno e internacional perdem, por completo, a já parca confiança.  O Brasil perdendo o seu grau de investimento dado pelas Agências Internacionais de Risco ( Standard & Poors – S&P, Moody’s e Fitch) , os recursos externos vão embora e ninguém mais vai querer investir aqui.

Para o governo rolar a sua dívida será muito mais caro, assim como também para as empresas privadas brasileiras, porque quando um país recebe um “downgrade” para o nível de “junk bonds” ( bonds especulativos, de baixa segurança), todas as empresas desse país são rebaixadas para o mesmo nível. E os grandes investidores institucionais, – que são os fundos de pensão internacionais e os fundos de investimento de baixo risco ao redor do mundo – , são proibidos de investir em “junk bonds”.  O país e as suas empresas são colocados na lista dos emissores de “junk bonds”, literalmente,  junk = lixo, bonds = títulos, situação em que, se alguém  os financiar, exigirá juros exorbitantes, dado o grau de risco.  É o pior dos mundos para um país que precisa recuperar a sua economia devastada por governos totalmente irresponsáveis e corruptos.

Nessa situação de desespero, com Levy ou sem ele,  impostos irão aumentar e isso vai impactar a Demanda Agregada, ou seja, o consumo global após os aumentos, reduzindo  a produção, a renda e o nível de emprego.  Aumento de impostos pode resolver o déficit de caixa no curto prazo, mas no médio e longo prazos é um forte fator inibidor da retomada do crescimento.

O que aconteceu e está acontecendo no Brasil é uma aula magna do que não se deve fazer.    Governos corruptos e ineptos acabaram com a economia, degringolando as contas públicas, e estão tentando sair pela via fácil do aumento da carga tributária, deixando intacto o fator primário do déficit: os gastos públicos de custeio e os gastos pessimamente feitos (e em andamento) em investimentos não reprodutivos.   Resolve-se, no curto prazo,  o “furo do caixa” pela via do aumento de tributos, mas deixa-se viva a fonte que o produz.

O artigo foi escrito por Sérgio Martenetz, economista e consultor financeiro.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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