Notícias econômicas ruins – Safra 2016

Enquanto o governo Dilma vem realizando um enorme esforço, junto ao Congresso Nacional, para obstaculizar a instauração do processo de impeachment, a economia brasileira começa a contabilizar as notícias dos dados ruins da safra 2016, emanadas de atitudes, diagnósticos e projeções efetuadas por entidades oficiais e do mercado.
De acordo com o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), uma espécie de prévia da variação do Produto Interno Bruto (PIB), a ser divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 03 de março de 2016, o nível de transações encolheu -4,1% em 2015, aproximando-se da marca negativa de -4,4, registrada em 1990, em consequência do confisco de ativos financeiros promovido pela gestão Collor.
Na mesma linha, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), instituição que congrega 34 nações, dentre avançadas e emergentes, reduziu de 3,3% para 3,0%, os prognósticos de expansão da economia mundial para 2016, e cravou decréscimo de -4,0% para o PIB brasileiro, depositando pífias esperanças para 2017.
Em se confirmando tais inferências, o País contabilizará recuo de -10,4% do PIB, entre abril de 2014 e dezembro de 2016, o que configurará a mais profunda e longa recessão da história e, o que é pior, ao contrário de outros períodos depressivos, absolutamente acéfalo de um programa consistente de reversão do ambiente hostil.
Em simultâneo, em resposta ao flerte do executivo brasileiro com o descaso com o equilíbrio fiscal, evidenciado pelo adiamento da divulgação dos inevitáveis cortes orçamentários, o aceno de utilização de parte das reservas internacionais para bancar projetos de infraestrutura de viabilidade discutível e, principalmente, a intenção de aplicação de uma banda fiscal (entre -0,5% e 1,5% do PIB, em contraposição aos sinais da arrecadação), a agência de rating Standard & Poor´s (S&P), promoveu nova diminuição da nota de crédito brasileira, afundando-a na condição especulativa, dois níveis abaixo do investment grade, que representaria o selo de bom pagador.
Pela ótica de outras estatísticas correntes, oriundas de pesquisas do IBGE, as vendas reais (descontada a inflação) do comércio varejista brasileiro caíram -8,6% em 2015, o pior resultado desde 2001, e o desemprego metropolitano saltou de 4,8% da população economicamente ativa (PEA), em 2014, para 6,8% da PEA, em 2015. Ademais o nível de emprego e os salários médios da indústria encolheram -6,2% e -1,8%, respectivamente, em 2015, suplantando, inclusive, os números sofríveis experimentados em 2009, quando o mercado doméstico foi contagiado pela crise internacional.
Na falta de um arcabouço econômico direcionado à correção dos descalabros construídos, tijolo a tijolo, desde fins de 2008, resta às autoridades de Brasília continuar disputando o jogo do varejão político, colocando a culpa no mundo, nas oposições, nos pessimistas, nos golpistas, nos intolerantes, dentre outros traidores do povo brasileiro, que não estariam entendendo que as inúmeras coisas erradas e ilegais que foram feitas, nos últimos anos, tinham como alvo o aprofundamento da redistribuição de renda e o desenvolvimento social.
Por essa ordem de ideias, a sociedade brasileira precisa compreender e aprender a conviver com o conceito de corrupção do bem.
O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, Economista, Consultor, Professor da FAE Business School, Ex-Presidente do IPARDES.




