Balanço do BNDES é aprovado com ressalva pela KPMG

O lucro líquido registrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2015, de R$ 6,199 bilhões, está aumentado em R$ 2,7 bilhões, segundo ressalva feita pela consultoria KPMG, auditora do balanço. O valor refere-se sobretudo a uma parte da baixa contábil (impairment) de R$ 12,6 bilhões por causa da participação do banco de fomento na Petrobras, que encolheu em 38% na passagem de 2014 para 2015.

No balanço da BNDESPar, empresa de participações do banco, o impairment com a Petrobras levou a um prejuízo de R$ 7,641 bilhões no ano passado. Segundo informes do banco de fomento, não fosse por essa baixa, a BNDESPar teria registrado lucro de R$ 692 milhões, e o BNDES teria tido lucro de R$ 10,684 bilhões.

Nos resultados consolidados do BNDES, que incluem a BNDESPar, uma parte das baixas contábeis foi registrada em conta separada, sem descontar do lucro, para seguir norma de 2012 do Conselho Monetário Nacional (CMN). Pela norma, a parte dos valores calculados como “perda permanente” referentes a ações transferidas pela União para o BNDES pode ser reduzida apenas do patrimônio.

Segundo a ressalva da KPMG, além da Petrobras, as participações com duas outras empresas também foram enquadradas nessa norma do CMN. Se os valores fossem descontados do lucro, a última linha do balanço teria R$ 2,7 bilhões a menos, ou seja, ficaria em R$ 3,5 bilhões.

No total, a carteira de ações da BNDESPar encolheu 17,6% em 2015 ante 2014. São R$ 9,534 bilhões a menos, por causa da desvalorização de ações detidas pela empresa de investimentos em diversas companhias. A carteira encerrou o ano em R$ 44,492 bilhões.

Em algumas empresas, como na Petrobras, o BNDES tem participação tanto via BNDESPar quanto diretamente. No total, o banco de fomento possui 17,24% do capital total da Petrobras. Na esteira do derretimento das ações da petroleira estatal na bolsa, a instituição de fomento viu o valor dessa participação encolher em 37,7% em 2015, ou R$ 6,156 bilhões a menos em relação a 2014.

O Tesouro Nacional pagou R$ 30,684 bilhões ao BNDES no ano passado, referentes a “pedaladas fiscais” de anos anteriores. Ainda assim, a União terminou 2015 devendo R$ 7,834 bilhões ao banco de fomento.

No caso do BNDES, as “pedaladas”, principal motivo do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff em tramitação na Câmara dos Deputados, se concentraram no acúmulo de pagamentos a título de equalização de taxas de juros, em programas de crédito incentivados pelo governo federal, como o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), Pronaf e demais programas agropecuários.

Dos recursos devidos pelo Tesouro Nacional ao BNDES, R$ 10,454 bilhões referem-se a valores apurados no exercício de 2015. Conforme a portaria do governo federal que resolveu a “pedaladas” na véspera do Natal do ano passado, os valores de equalização serão apurados em 30 de junho e 31 de dezembro de cada ano, e devidos em 1º de julho e em 1º de janeiro de cada ano.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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