E la nave va

Andreas Hoffrichter.
Andreas Hoffrichter.

O Brasil pode atualmente ser comparado a um navio. Um grande navio à deriva por causa dos erros de navegação cometidos pela “capitã e seus imediatos”. Os passageiros pagam caro pela passagem e são pessimamente atendidos pela tripulação, que é muito maior do que deveria ser. Os ratos saíram do porão e estão passeando livremente pelo convés. As caldeiras deixaram de funcionar a pleno vapor. O pior é que a comandante e os seus imediatos não têm a menor noção, competência e senso de urgência para colocar o navio no rumo correto.

Uma verdadeira tragédia é o contínuo processo de redução da produção industrial no Brasil. O PIB industrial encolheu 8,3% em 2015. No Paraná a retração foi de 9,6%. Até a indústria de alimentos teve um desempenho negativo de 2,3%. Embora o Brasil seja um celeiro de jovens e criativos empreendedores, falta confiança para investir num país que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. Se somarmos todos os tributos chegarão a mais de 100 tipos diferentes. Na Europa, o tempo gasto por uma empresa para administrar os seus impostos é de 260 horas por ano. Enquanto aqui são necessárias pelo menos 2.600 horas, dez vezes mais!

O custo decorrente de uma legislação trabalhista totalmente ultrapassada, uma infraestrutura insuficiente para atender as necessidades da indústria e das reformas fiscal e tributária “tão faladas”, porém, sempre adiadas, dificultam ainda mais a retomada do crescimento industrial.  Pode-se acrescentar a burocracia descomunal, lenta, ineficiente e desnecessária que faz com que o custo transacional no Brasil seja altíssimo. Não há luz no fim do túnel, por enquanto.

Mesmo que o Brasil tenha trabalhadores qualificados, a afirmação de que o custo da mão de obra seja um fator competitivo importante não se confirma. O custo de um empregado na indústria chega a mais de 140% do seu salário nominal. Diante disso, enquanto não reduzirmos significativamente os encargos.

É essencial que a produtividade da indústria seja aumentada por meio da qualificação dos trabalhadores e pelo investimento em máquinas mais modernas e eficientes, afinal o nosso parque industrial está parcialmente sucateado.
O fato é que não podemos competir com outros países em igualdade de condições, quanto mais gerar valor econômico agregado. O custo da energia elétrica (kWh) no Brasil, por exemplo, é um dos maiores do mundo. Diante disso, segmentos eletrointensivos como os de alumínio, papel e celulose, petroquímicos e siderúrgicos são duramente afetados. A elevada participação da energia elétrica no custo total da produção inibe consideravelmente os investimentos em novas fábricas no país.

Estamos novamente diante de grandes desafios que precisam ser tratados com urgência se não quisermos ser o eterno país do futuro. A curto prazo, precisamos encaminhar o ajuste fiscal para combater o déficit público que em 2015 atingiu mais de R$ 114 bilhões. A inflação na casa dos dois dígitos também assusta e corrói a renda de milhares de brasileiros que estão perdendo o emprego. Assim como a alta taxa de juros, que precisa ser reduzida consideravelmente se quisermos voltar a crescer de maneira sustentável e com os investimentos necessários.

O Brasil é um país com condições excepcionais para crescer, é muito maior do que qualquer crise, mas deve ser “repensado” para que daqui algumas décadas seja esse Brasil que almejamos. Precisamos fazer a nossa lição de casa.
Enquanto isso lá em Brasília, la nave va, (…) fazendo água!

O artigo foi escrito por Andreas Hoffrichter, que é diretor da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-Alemanha (AHK PR), cônsul honorário da Alemanha em Curitiba e conselheiro de Administração certificado pelo IBGC.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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