O drama da produtividade baixa

José Pio Martins.
José Pio Martins.

Em abril de 2014, a revista The Economist afirmou que “os brasileiros são gloriosamente improdutivos”. Essa declaração provocou reações iradas nos meios políticos. Como sempre, pipocaram as declarações bombásticas e as ofensas direcionadas à revista, em detrimento da análise técnica sobre o porquê da afirmação. Na época, muito se falou sobre o tema, ficando para as publicações especializadas as melhores análises fundadas na realidade e com base em métodos científicos.

Produtividade é a quantidade de produto feita em uma hora de trabalho humano. Para o país como um todo, é o total do Produto Interno Bruto (PIB) dividido pela quantidade de horas trabalhadas pela população. Atualmente, a produtividade no Brasil não passa de US$ 12/hora, enquanto nos Estados Unidos é de US$ 56/hora. Não é preciso sofisticação matemática para saber que o padrão médio de bem-estar social por aqui equivale a um quinto dos EUA.

A pergunta insistente é: por que isso acontece? De forma simplificada, há quatro fatores essenciais que determinam o desempenho econômico: o capital físico, o capital humano, o conhecimento tecnológico e os recursos naturais. Embora haja interferências de outras variáveis, esses quatro fatores predominam na explicação da produtividade de um povo.

O capital físico pode ser definido como a soma da infraestrutura física (estradas, ferrovias, portos, aeroportos, energia), infraestrutura empresarial (fazendas, fábricas, empresas comerciais, empresas de serviços) e infraestrutura social (escolas, hospitais, prisões, instituições assistenciais). O primeiro aspecto tem relação com o tamanho do capital físico à disposição da população, com a qualidade tecnológica do capital e com o estado de conservação de seus componentes. De saída, estamos muito mal nesse quesito, e aí está uma parte substancial do problema.

O capital humano é o número de trabalhadores do país, seu grau de escolaridade, seu nível de qualificação profissional, sua ética profissional e sua disciplina na execução das tarefas. De novo não é preciso muita informação para entender que o Brasil está longe de países como EUA, Canadá, Alemanha e Austrália. O capital humano brasileiro precisa melhorar em todos os aspectos aqui mencionados.

Bastaria a soma das deficiências desses dois fatores – capital físico e capital humano – para entender a quase totalidade do problema. Entretanto, surge no meio do drama o terceiro fator: o conhecimento tecnológico. É difícil quantificar o tamanho do conhecimento tecnológico incorporado ao PIB, mas não é difícil compreender a diferença entre os países. Se fosse possível medir essa variável, facilmente veríamos que o conhecimento tecnológico incorporado no sistema produtivo brasileiro é pequeno na comparação com países desenvolvidos.

Quanto aos recursos naturais, o quarto fator, o Brasil tem boa situação. Por esse fator, a nação podia ser desenvolvida. Ocorre que, juntos, aqueles três fatores anteriores são claramente precários, deficientes e insuficientes, jogam a produtividade no chão e mantêm o país na pobreza. Entre as causas dessa situação e da consequente baixa produtividade estão a história do país, o tipo de colonização, os hábitos, a cultura, o nível educacional e o sistema político.

Sair da armadilha do atraso não é fácil, mas é possível. Tudo começa por mudança na estrutura política, na melhoria do corpo de leis e na reforma do sistema estatal.

O artigo foi escrito por José Pio Martins, que é economista e reitor da Universidade Positivo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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