A Lava Jato e a economia brasileira

Gilmar Mendes Lourenço.

Em discurso proferido a uma plateia de sindicalistas, em março de 2016, o ex-presidente Lula, depois de frustrada tentativa de ocupar a pasta da casa civil do governo Dilma e, por extensão, colher os frutos do foro privilegiado, esboçou sinais de alerta a respeito dos prejuízos econômicos derivados das investigações conduzidas no âmbito da operação Lava Jato, direcionadas ao combate à corrupção, que deveriam ser cobrados pela sociedade da força-tarefa.

Inclusive, alguns apoios técnicos de Lula chegaram a preparar simulações econométricas que permitiram imputar quase um terço da recessão, amargada pelo País desde abril de 2014, aos efeitos multiplicadores das paralisações de obras e transações de grandes empreiteiras, ativas participantes das ações de superfaturamento de contratos e negociatas, especialmente com a Petrobrás.

Presentemente, o vagaroso escape das atividades produtivas do fundo do poço depressivo, com forte inclinação à estagnação – mesmo com o consistente declínio da inflação e dos juros -, vinculada à resistência das turbulências de natureza política, serviu para recolocar o assunto na mesa de avaliações das flutuações cíclicas da matriz econômica da nação.

Por essa ordem de atenção, parece oportuno perceber e compreender a existência, no Brasil, de elevada correlação entre acentuada participação e intervenção do estado no cotidiano econômico, multiplicação dos canais de corrupção, desprezo às iniciativas dirigidas à obtenção de ganhos de produtividade microeconômica, corrosão do potencial expansivo de longo prazo e ampliação das disparidades sociais.

De fato, o álbum de fotografias e os filmes da trajetória histórica da economia do País mostram, de maneira bastante clara, desde começo da fase de industrialização por substituição de importações, na década de 1930, orquestrações patrocinadas por alianças hegemônicas de poder, na defesa da aplicação de diretrizes permissivas à ocupação financeira do Estado por um reduzido número de corporações de grande dimensão.

Aquelas organizações, protegidas por reservas de mercado, vantagens tributárias, subsídios fiscais e creditícios, contratos privilegiados e outras benesses, preferem não exercer o papel de entes inovadores e correr os riscos inerentes às estruturas de mercados concorrenciais e permanecer sob o manto protetor dos governos. Como contrapartida, empenham-se em engrossar suas respectivas folhas de pagamentos com expressiva fração de membros dos executivos e legislativos.

Nessa perspectiva, apesar da ocorrência de desdobramentos econômicos negativos nas variáveis emprego e renda, em curto e médio prazo, atrelados ao abrangente esforço de apuração dos eventos de desvios de recursos dos orçamentos públicos e da pilhagem dos cofres das companhias estatais, realizados por meio da viabilização de relações promíscuas entre agentes governamentais e representantes da iniciativa privada, é prudente reconhecer a característica depurativa das enormes e complexas tarefas da Lava Jato.

Mais que isso, as operações podem vir a representar uma espécie de passo inicial na caminhada rumo à construção de um novo arranjo institucional, demarcador das relações entre os diferentes atores da sociedade brasileira, principalmente no terreno da gestão dos recursos transferidos pelas instâncias privadas (famílias em empresas) às distintas escalas de governo, na forma de impostos, taxas, contribuições e tarifas.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é economista, consultor, professor da FAE Business School, ex-presidente do IPARDES

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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