Cenários da saída de Temer

Gilmar Mendes Lourenço.

O inevitável afastamento do presidente da República, Michel Temer, depois do conhecimento público do conteúdo das delações premiadas dos executivos do grupo JBS e autorização de abertura de inquérito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, por suspeita de crime cometido durante o mandato, multiplica as apreensões da sociedade brasileira acerca do formato de preenchimento do cargo, na perspectiva de eliminação da possibilidade de ocupação por aventureiros e oportunistas semelhantes (ou até piores) a ele e seus antigos companheiros e antecessores.

Isso porque, a economia nacional ensaia um espetáculo de superação de recessão mais longa e profunda da história e de organização de um processo de recuperação da capacidade de crescimento de longo prazo, ancorada no declínio estrutural da inflação e dos juros e na implantação de reformas institucionais capazes de assegurar a melhoria da eficiência e compressão de custos da microeconomia e a restauração da solvência e funcionalidade do estado.

Nessa perspectiva, as opções constitucionais abrangem renúncia, impeachment e cassação, via julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do processo movido pelo PSDB, contra a chapa eleita em 2014, acatado e avaliado preliminarmente por aquela corte.

A renúncia de Temer exigiria a presença de algum resquício de dignidade a quem defendia exercer uma espécie de papel de salvação nacional; algo que faltou a Dilma Rousseff, diga-se de passagem. Os procedimentos de novo impedimento presidencial produziriam uma situação de prolongado tumulto ao interromper, na prática, os trabalhos de um poder legislativo portador de estatura moral bastante abalada. Já a provável deliberação do TSE repousaria em aspectos eminentemente técnicos, por conta da recente inviabilização de saídas delineadas por arranjos políticos.

Do ponto vista legal, a Carta Magana de 1988 prevê, na vacância dos cargos de presidente e vice, a substituição da chapa, por escolha indireta e votação aberta, pelo congresso nacional, em um período de trinta dias, sendo a função de mandatário ocupada temporariamente pelo presidente da câmara dos deputados, no caso o parlamentar Rodrigo Maia, conhecido como “botafogo” na suposta folha de pagamentos da Odebrecht.

Considerando as inúmeras dificuldades institucionais e operacionais à criação de condições para a feitura de um pleito direto e o repúdio popular à preparação de gambiarras pelo parlamento, recheado de pessoas envolvidas em múltiplas incursões ilícitas, transmitindo mensagens do tipo “mudança com continuidade”, parece imprescindível a perseguição do encurtamento e equacionamento da instabilidade por caminhos preservadores do estado de direito.

Até porque, a ampliação da abrangência e profundidade do abismo político reúne elementos suficientes para reverter o estágio de passagem da recessão para a estagnação econômica, experimentado pelo País neste começo de 2017, que acontecia em paralelo às flutuações dos indicadores de confiança de empresas e consumidores, explicadas justamente pela volatilidade do cenário político.

Nesse particular, o pânico nos mercados de risco, ou a fuga do real, expresso na queda dos preços das ações e subida do dólar, constitui evento rotineiro e previsível.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é economista, consultor, professor da FAE Business School, ex-presidente do IPARDES.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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