Propósito: por que sua empresa deve ter um?

Semadar Marques.

Ter um propósito é estabelecer ações que estejam alinhadas a algo que faça realmente sentido. Ele está ligado aos valores de cada pessoa, aquilo que é mais importante para cada um. Uma empresa é movida, obviamente, pelos ganhos, mas existe algo maior que isso, que é o que motiva e dá sentido às ações, gerando engajamento e inspiração para alcançar metas e desafios.

O grau de maturidade de empresas e instituições vai ditar o momento exato em que empreendedores e gestores irão perceber a importância de buscar um propósito maior, ou seja, colocar em prática ações que façam sentido para os donos de empresa e também para os funcionários. O alinhamento de valores de funcionários e donos de empresas é fundamental, já que é preciso contratar pessoas que tenham os mesmos valores, ou seja, acreditem nas mesmas ideias e princípios. Um funcionário que tem como um valor primordial a criatividade, por exemplo, terá um choque de valores muito grande ao, sem estar atento a isso, buscar emprego em uma companhia que não dê espaço para o funcionário expressar suas ideias.

Buscar entender o seu propósito autêntico e verdadeiro possibilita a instituição trazer para dentro dela profissionais alinhados ao que ela acredita e estruturar carreiras duradouras e que irão efetivamente contribuir para o crescimento de ambos, além de oferecer produtos e serviços com um maior valor, pois está se desenvolvendo algo que se realmente acredita.

Quando pessoas estão vivendo seus valores e fazendo o que as faz entrar em estado de fluxo com suas competências, elas são muito mais produtivas e criativas. E quando dirigentes e líderes de uma empresa estão aptos a refletir sobre seus próprios valores e pelo que dedicam a maior parte de sua vida, uma empresa está no caminho para encontrar um propósito.

Homens de negócios costumam ser pragmáticos e achar essa questão uma bobagem, mas esquecem realmente que todo empresa é formada de seres humanos que necessitam de um significado maior para suas ações, saber que estão fazendo a diferença de alguma forma, concentrados em algo que seja importante. Isso é a base do engajamento e da motivação.

Portanto, líderes realmente eficazes sabem alinhar valores e objetivos internos com valores e objetivos maiores de uma organização. Quando não se leva em conta essas questões, o boicote costuma ocorrer de alguma forma, seja ele consciente ou não. Para se alcançar metas e objetivos, é importante que todos estejam congruentes aos mesmos valores e significados. E quando não se tem valores alinhados, os dirigentes costumam agir de acordo com interesses que sejam exclusivamente importantes para si próprios, o que gera competição, tensão e ambientes que costumo chamar de insalubres emocionalmente.

A reflexão sobre os valores individuais e coletivos é o primeiro passo para o reconhecimento do propósito, pois eles são a base fundamental de uma organização. O clima e ambiente são o resultado destes fatores. Uma organização com um senso de propósito proporciona uma ampla sinergia, que motiva e une esforços por um objetivo em comum. O foco e o modo de operar de uma instituição é simplesmente o resultado de cada consciência individual, que forma uma consciência e cultura coletiva.

O caminho do propósito passa diretamente pelo autoconhecimento sincero de uma organização em assumir seus déficits perante o desenvolvimento das pessoas as quais lidera e reconhecer todas as competências nas quais se diferencia. Estar consciente de seu core business irá fortalecê-la para encarar os gaps de competência e unir esforços para agir neles.

Empresas míopes têm dificuldade de aceitar o que precisam melhorar e por isso distanciam-se do seu verdadeiro propósito, além de serem mais lerdas no crescimento sustentável e do seu pessoal. Organizações onde os valores são puramente materiais costumam não dar espaço para os valores individuais virem à tona, gerando muita frustração e ansiedade, e as pessoas costumam adoecer emocionalmente por atuarem nestes locais. Dar voz às consciências individuais, criando um sentido de pertencimento e comunicando claramente os valores da instituição são caminhos certeiros para deixar emergir os propósitos individuais que irão se unir ao propósito maior da organização. Pessoas querem ser ouvidas e assumirem responsabilidades que sejam congruentes com aquilo em que acreditam e com suas melhores potencialidades. Isso é o que as encoraja a irem adiante e se esforçarem por desafios colocados por instituições.

O propósito está na moda e sua empresa só tem a ganhar com isso.

O artigo foi escrito por Semadar Marques, que é especialista em Empatia, Liderança Colaborativa, Propósito de Vida e Inteligência Emocional.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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