Operadoras x Aplicativos: quem ganha essa disputa?

Robson Costa

As operadoras sempre tiveram um grande “poder” na comunicação; e apesar das diversas regulamentações que existem no setor, o consumidor sempre se sentiu lesionado e preso a poucas opções. Isso durou alguns anos, mas após a chegada de aplicativos como WhatsApp, Telegram e outros, que começaram a oferecer recursos de chamadas de voz “gratuitas”, as operadoras finalmente aprenderam a compreender e ouvir melhor o seu cliente consumidor.

Apesar das inúmeras tentativas de barrar o WhatsApp por aqui, nenhuma chegou a vigorar por muito tempo, e assim as operadoras se viram forçadas a outras alternativas, começando o processo de investir onde realmente importa: no cliente. As ligações ilimitadas em planos pós e pré-pagos chamaram a atenção dos consumidores, que preferem as promoções e ofertas de suas operadoras do que gastar a rede de dados da internet com as ligações pelos aplicativos.

Os diferentes planos chamam mais a atenção não somente pelo valor a ser pago, mas também porque oferece junto um pacote de dados — que esse consumidor não irá gastar nas ligações via internet — e com mais qualidade. Afinal, quem nunca realizou uma chamada de voz pelo WhatsApp que não fosse com ruídos e cortes, sem poder ouvir direito o outro lado da linha? Você se recorda da época em que a família toda precisava fazer parte da mesma operadora para ganhar mais bônus ao falar? Hoje, eles podem ter 150 minutos semanais para qualquer operadora por apenas 10 reais.

Mas não se enganem: todas as operadoras hoje comutam suas chamadas por tecnologia Voip, seja no POP, na central ou algum outro caminho na conectividade. A diferença é que elas detém também o link de internet próprio, sem necessitar de interfaces, tendo um controle mais acurado sobre banda, diferentemente dos aplicativos que precisam “pedir permissão” para trafegar, e por vezes, acabam perdendo qualidade por conta disso.

As chamadas convencionais ainda são passos lentos para ferramentas como o Voice Over LTE (Voz Sobre LTE). Essa tecnologia permitirá que as chamadas de voz sejam feitas em planos 4G, sem impactar no consumo de pacote de dados. Ou seja, o cliente terá uma discagem mais rápida, maior qualidade nas ligações e nada disso vai impactar na sua internet diária. Mas ainda é necessário aguardar a reciclagem dos aparelhos e das operadoras. Alguns aninhos para se tornar super popular.

De qualquer forma, tudo isso acarretou na melhoria dos serviços de telefonia por meio de mais tecnologia. Foi um contra-ataque certeiro das operadoras aos aplicativos de celular, com preços mais justos e competitivos. Segundo a Opinion Box — em parceria com a Mobile Time —, entre janeiro e junho do ano passado o WhatsApp caiu de 65% a 56% nas ligações pelo aplicativo.

Apesar disso, muitos consumidores ainda utilizam o whatsapp como uma primeira alternativa de voz, principalmente para os contatos mais íntimos. Somente depois utilizando o telefone. É o consumidor se adaptando ao mesmo tempo que entende as limitações e restrições de cada tecnologia. Ele está cada vez mais atento às oportunidades que possui para economizar no bolso e manter a qualidade dos serviços que recebe. Isso estimula as gigantes da internet e as operadoras a manterem uma “batalha”, repensarem seus atendimentos, prestação de serviços e valores. E quem vai ganhar com tudo isso? Certamente o consumidor.

O artigo foi escrito por Robson Costa, que é CEO do Grupo Encanto Telecom.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *