You are here
Home > Artigos > Petrobras: o resultado financeiro é só uma parte do valor

Petrobras: o resultado financeiro é só uma parte do valor

Daniel Domeneghetti

A queda de mais de 8% nas ações da Petrobras no mês passado, fez a empresa perder R$ 32,4 bilhões em valor de mercado após a intervenção do presidente Jair Bolsonaro na política de preços da petroleira. O fato nos abre uma boa oportunidade para falar da importância das empresas em gerar e proteger valor tangíveis e intangíveis como forma de manter sobrevivência e perenidade do negócio.

A pancada foi grande e, mais uma vez, a Petrobras quase viu seu trabalho de recuperação de reputação se esvair, juntamente com os seus lucros, aos olhos de seus acionistas. Por mais que a possível crise de confiança não estivesse atrelada a escândalos de corrupção, a baixa das ações fez os investidores ficarem atentos com os próximos passos da companhia na bolsa de valores.

O desastre só não foi maior devido aos investimentos feitos pela Petrobras para reconstruir sua imagem diante de investidores e de outros stakeholders nos últimos três anos, após a eclosão dos capítulos obscuros de envolvimento na Lava Jato. Trabalhos com proporções para Hércules nenhum botar defeito, a petroleira revisitou padrões de governança, definiu novos vínculos de relação com seu público externo, reforçou medidas de compliance e transparência, dentre outras medidas.

Essa combinação somática de construção cuidadosa de retomada de credibilidade com a imagem permitiu à Petrobras voltar a performar no mercado e, sobretudo, ganhar aos poucos a confiança de investidores e clientes novamente.

Apesar das turbulências do ano passado com a greve dos caminhoneiros, a demissão de Pedro Parente da presidência da companhia e as eleições presidenciais, a Petrobras encerrou 2018 com valor de mercado estimado em R$ 316 bilhões, segundo a Economatica. Ou seja, em vias de fato, voltou a lucrar por meio de uma gestão estratégica, resumida a fontes potenciais na proteção e geração de valor intangíveis.

Aliás, priorizar os esforços na gestão e investimento em bens intangíveis, tais como governança corporativa, marca, sustentabilidade e inovação, ou seja, em ativos que não são tradicionalmente ligados a performance financeira, é a estratégia adotada (e também a tábua de salvação) para empresas que se viram diante de escândalos financeiros nos últimos cinco anos. Odebrecht e JBS são exemplos acrescidos na lista de organizações que reconstroem a marca através de uma revisão na sua missão e valores.

Tratar de inovação, criatividade, cultura digital e sustentabilidade, não é falar sobre os margens de lucros da empresa, o quanto ela vende ou seus investimentos. Quando falamos de competências intangíveis, na verdade, procuramos entender o ambicionar da empresa em olhar para resultados cada vez mais significativos, sem estar atrelados puramente a finanças. Não compreender a real proposta dos intangíveis no negócio, frente à complexidade do ambiente corporativo atual, a companhia estará fadada à irrelevância mercadológica. Performar sem cuidar da credibilidade não funciona e preservar só a própria imagem, por puro alter ego, sem focar no crescimento saudável e no caixa, leva a empresa à estagnação, culminada por uma morte lenta.

O artigo foi escrito por Daniel Domeneghetti, que é especialista de marketing branding, práticas digitais no relacionamento com cliente e CEO da DOM Strategy Partners, consultoria 100% nacional focada em maximizar geração e proteção de valor real para as empresas.

Avatar
Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

Deixe uma resposta

Top