Empresas devem se adaptar o mais rápido possível à Lei Geral de Proteção de Dados. Multas podem chegar a R$ 50 milhões

Dentro de exatamente um ano, entra em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados que estabelece normas reguladoras para proteger a privacidade dos usuários, gerando novas maneiras de se fazer negócio na internet com maior segurança jurídica. Para os empresários que ainda não se atualizaram em relação a nova lei, pois acham que ainda têm um bom tempo pela frente, é melhor se apressarem, pois terão uma longa lista de providências para tomar e evitar sanções. Só para se ter uma ideia, o vazamento de dados de pessoas físicas poderá ser punido com multas que chegam a R$ 50 milhões, além, é claro, de prejudicar a reputação da companhia.
Eu conversei com o professor e perito Domingo Montanaro (foto), que é um dos maiores especialistas brasileiros em crimes cibernéticos, e ele me explicou que a LGPD, como vem sendo chamada, altera totalmente o modo como as empresas que trabalham com dados de consumidores, devem lidar com as informações. Portanto, é fundamental que as empresas, independente do seu tamanho, criem um controle sobre todos os dados que circulam, pois grande quantidade das informações são confidenciais.
Montanaro, que participou nesta terça-feira (27), em Curitiba, do seminário “A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e a Cyber Segurança”, promovido pelo escritório Prolik Advogados, alerta que se hoje fossem feitas fiscalizações, em 90% das empresas seriam encontradas vulnerabilidades. Vale lembrar que a LGPD vai ser aplicada em todos os tipos de empresas, inclusive startups, e na opinião de Domingo Montanaro a fiscalização será bastante rigorosa, a exemplo do que já ocorre atualmente na Europa.
Portanto, é muito importante que as empresas disponham de um processo de gerenciamento eficiente e contem com o auxílio de uma boa ferramenta de gestão, para agrupar todos os dados que possuem de cada cliente e, assim, controlar o que fazer com cada informação. Também é importante controlar todos os dados que são coletados e armazenados, e identificar quais são os funcionários que possuem acesso a essas informações e como essas informações são utilizadas.
Eu perguntei ao professor Montanaro se haverá um gasto a mais para as empresas, e ele me disse que sim. No entanto, segundo o especialista é importante que as empresas percebam que a transformação digital no sistema financeiro possibilitou o aumento dos lucros, principalmente dos bancos. Só que agora, isso terá um ônus.
Crimes cibernéticos
Quanto aos crimes cibernéticos, Domingo Montanaro, que detém um histórico de sucesso em mitigação de risco cibernético e combate aos crimes informáticos desde 1999, acredita que eles continuarão aumentando. “O impacto para 2020 com os crimes cibernéticos é que devam subtrair US$ 3 trilhões, tornando-se um problema muito maior do que o tráfico de drogas e terrorismo”, alerta.
Segundo Montanaro, que montou células de perícia, investigação e inteligência em instituições financeiras e órgãos governamentais, bem como treinou forças policiais e militares em diversos países ao longo de sua carreira, destaca que os crimes cibernéticos são hoje o quarto maior problema do mundo, à frente inclusive do terrorismo.
Por fim, o mundo online está expandindo e evoluindo constantemente. Nesse sentido, para acompanhar essa evolução sem cometer nenhuma infração, a empresa deve se manter atualizada.
Crédito da foto – Arion Ferreira
Mirian Gasparin








