Minha empresa está quebrando. E agora?

Minha empresa está quebrando. E agora?
Os tempos não estão fáceis para os chamados médios empresários (Middle Market). Por conta da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, diversas empresas apresentaram problemas de caixa e, algumas, infelizmente, não conseguiram contornar a situação e faliram, outras seguraram o barco, mas vão quebrando gradualmente.

Embora a situação possa parecer incontornável à primeira vista, existem caminhos que o empresário pode percorrer, e a escolha dele, via de regra, depende da gravidade da situação da empresa e das condições oferecidas pelo mercado.

Antes de mais nada, é importante ressaltar que diferentemente da crença presente no imaginário da população, o empresário que se vale das medidas de recuperação empresarial ou do processo de falência não tem por objetivo passar seus credores para trás. Muito pelo contrário, caso as medidas sejam aplicadas corretamente, os credores terão boa parte de seus créditos satisfeitos, e o empresário poderá tentar um novo começo.

Segundo João Pedro Louzada, Advogado Especialista em RJ – Recuperação Judicial do GVM advogados, os donos de empresas, diante do agravamento da crise, podem, então, optar por duas opções: a Recuperação Extrajudicial ou a Recuperação Judicial.

Recuperação Extrajudicial

A primeira opção é a Recuperação Extrajudicial, sendo a mais adequada para empresas que estejam em um estágio intermediário de crise, seja porque está concentrada em um grupo de credores ou o caixa ainda não está severamente comprometido.

A Recuperação Extrajudicial consiste em negociar com os credores, ou grupos de credores, novas formas e condições de pagamento para os créditos já existentes. Um ponto interessante desse procedimento é a possibilidade de escolha do tipo de credor que irá participar, sendo possível fazer uma recuperação extrajudicial apenas com as instituições financeiras com as quais a empresa está em débito, por exemplo.

A maior vantagem dessa opção é que no momento do ajuizamento/anúncio do processo para o mercado, que é um dos maiores gargalos de crédito na Recuperação Judicial, a negociação já foi concluída. Já a grande desvantagem é que as negociações são feitas a portas fechadas, não havendo suspensão automática das ações e execuções em curso contra o devedor, o que dificulta a empresa conseguir fôlego enquanto negocia.

Embora a negociação se dê de forma extrajudicial, é necessário que o Plano de Recuperação Extrajudicial, o documento com os novos termos e condições de pagamento dos créditos, seja homologado judicialmente.

Recuperação Judicial

Outra opção é a Recuperação Judicial, sendo esta a medida mais adequada para empresas em que a crise já está efetivamente instalada, mas é passível de superação, seja em razão do patrimônio da empresa, da sua capacidade de continuar produzindo mesmo estando em crise ou das condições do mercado.

A principal vantagem de se optar pela chamada “RJ” é a ocorrência do stay period, um período de 180 (cento e oitenta) dias que começa após a decisão que determina o processamento da Recuperação Judicial. Durante esse prazo, as ações e execuções que correm contra a empresa ficam suspensas e a empresa não pode sofrer bloqueios e/ou penhoras, ou mesmo ter a falência decretada.

O stay period serve para que a empresa ganhe fôlego e tenha melhores condições de negociar com seus credores, de modo que ao final dos 180 (cento e oitenta) dias, o Plano de Recuperação Judicial seja aprovado e as dívidas anteriores sejam todas incluídas no plano, com novos prazos para pagamento.

Diferentemente da Recuperação Extrajudicial, na Recuperação Judicial, não é possível escolher os credores que farão parte da RJ. A parte das exceções que a lei prevê, todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não tenham vencido, estarão submetidos à Recuperação Judicial.

A Recuperação Judicial é uma ótima solução para superação de crises, mas por se tratar de um procedimento oneroso, de longa duração e por ser possível a decretação da falência no curso do processo, a empresa deve se certificar de que tem condições de passar pelo processo, pois no momento em que a Recuperação Judicial é anunciada, se tornará mais difícil obter crédito.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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