Digitalização dos pagamentos continua crescendo

O Instituto Propague, em conjunto com a área de Economic Research da Stone, empresa de tecnologia e serviços financeiros parceira do empreendedor brasileiro, divulgou o estudo Mercado de Pagamentos em Dados com um panorama do 1º trimestre de 2022, que demonstra que a digitalização dos pagamentos – via pix, cartão pré-pago e pagamento por aproximação – continua crescendo em 2022, apesar da recuperação lenta do varejo e dos serviços.
Com um crescimento bastante significativo durante os piores momentos da pandemia, o pagamento por aproximação tem se mostrado um fenômeno que vai perdurar além da pandemia, sendo um dos aspectos que mais se destacam na recente evolução do mercado de pagamentos no Brasil. Entre o 1º trimestre de 2021 e o mesmo período de 2022, o crescimento em volume transacionado foi de mais de 470%. Em março, as transações contactless superam 30% do total de pagamentos presenciais.
A boa experiência de utilização da transação contactless, aliada a aspectos como a eficiência para comércios, principalmente aqueles que lidam com grande fluxo de clientes, a segurança/agilidade e a possibilidade de fazer a transação de inúmeras formas (com cartão, celular, relógio etc) fazem com que pagamentos por aproximação sejam cada vez mais aceitos e utilizados por brasileiros, contribuindo para o uso cada vez maior de meios digitais de pagamentos e o cada vez menor uso de dinheiro em espécie. Todos esses fatores fazem desta modalidade de pagamento, aliada ao já fundamental PIX, dois ótimos termômetros do grau de digitalização da economia brasileira.
PIX
Em março, o PIX registrou um novo recorde de transações realizadas – cerca de 1,6 bilhões, com queda de quase 45% no ticket médio – de R$ 882 em nov/20 para pouco menos de R$ 490, em mar/22. O crescimento também aparece na modalidade P2B: em março, o PIX atingiu seu maior volume transacionado na modalidade, com um aumento de mais de 11% em relação a dez/21. Também alcançou participação de 9,2% do total de volume transacionado dentre os principais meios de pagamento P2B, a maior desde sua criação.
Mercado de cartões
O mercado de cartões como todo seguiu crescendo: pela primeira vez registrou mais de 100 milhões de transações por dia, somando 9 bilhões de transações no primeiro trimestre. O destaque foi para o pré-pago, que manteve aumento superior a 100%. Na comparação do 1º trimestre de 2021 com o 1º trimestre de 2022, a modalidade teve aumento de quase 71% dos gastos não presenciais, enquanto a modalidade de crédito chegou a cerca de 39% de crescimento no comparativo entre os meses de março de 2020/2021 e 2021/2022.
Varejo
Altas taxas de inflação e desemprego, aliados a um baixo crescimento do PIB criam um cenário macroeconômico atual bem diferente do que era esperado, com o fim das medidas de restrição à mobilidade das pessoas e a melhora geral no quadro de saúde da população. A mobilidade em locais como supermercados e farmácias já se encontra em níveis bastante superiores àqueles de pré-pandemia, bem contrastante com o apresentado em locais como restaurantes, cafés e shoppings.
Com algumas exceções, não houve recuperação sustentada de setores relevantes para a economia brasileira, evidenciando um ritmo de crescimento abaixo do esperado para o período imediatamente após o fim das restrições de mobilidade pandêmicas.
Serviços
Em março de 2022 houve um crescimento no volume de venda de serviços de forma geral acima do esperado, com um aumento absoluto de 1,7% em frente a 0,9% projetado pelo mercado. Este aumento levou o setor a estar cerca de 7% acima do nível de pré-pandemia, em seu volume de vendas geral e absoluto.
Conclusão
O primeiro trimestre de 2022 mostra um cenário parecido com o do final de 2021: a digitalização segue crescendo, não tendo ainda alcançado uma estabilidade; e a recuperação do varejo e de serviços acontecendo, mas ainda lenta. O trimestre trouxe, no entanto, a novidade de que as expectativas para a atividade econômica em 2022 melhoraram, o que pode contribuir para a reversão do cenário.








