Planejamento tributário é a chave para atrair investidores estrangeiros

Planejamento tributário é a chave para atrair investidores estrangeiros

Após captação recorde de recursos internacionais pela América Latina, reforma tributária pode tornar o Brasil mais atrativo

A América Latina e o Caribe atraíram US$ 224,58 bilhões em investimentos estrangeiros em 2022, segundo dados divulgados este mês pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal). O resultado, que é 55,2% superior a 2021, reflete o fim da pandemia de Covid-19 e simboliza um momento positivo na década: desde 2013 esse tipo de recurso não superava a marca de US$ 200 bilhões.

E, caso a reforma tributária seja concretizada, tudo indica que os bons ventos podem continuar soprando para o continente. Um eventual cenário de mais transparência, simplificação dos impostos, redução de contencioso jurídico e aumento da eficiência nos recursos pode tornar o país mais atrativo. “Em uma economia globalizada, investidores tendem a optar por ambientes que ofereçam clareza e previsibilidade em relação à carga tributária e ao sistema. É fundamental que sejam feitas reformas nesse sentido”, explica Leonardo Roesler, especialista em Direito Tributário e Empresarial e sócio do escritório RMS Advogados.

O advogado lembra dois materiais que dimensionam o problema. Em 2019, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez o estudo “Custo Brasil e Competitividade”, apontando que a complexidade do sistema tributário brasileiro impõe custos significativos às empresas e prejudica a competitividade. Já em 2020, o relatório “Doing Business”, do Banco Mundial, comparou 190 países e mostrou o Brasil em uma posição baixa no quesito facilidade de pagar impostos.

Enquanto a reforma não acontece, o especialista indica que o planejamento tributário é uma das principais ferramentas para que investidores estrangeiros consigam lidar com a complexidade do país. “Assim é possível identificar e mitigar riscos antes que se tornem problemas reais. Quando elaborado com o auxílio de consultores jurídicos e fiscais com conhecimento específico do sistema brasileiro, o planejamento ajuda a minimizar a carga de impostos e a maximizar a eficiência fiscal”, explica.

Outra medida importante é ter uma equipe altamente capacitada. Dependendo do tamanho e da complexidade das operações da empresa, Roesler aconselha ter profissionais de contabilidade, auditoria e de direito tributário trabalhando juntos. “Eles podem fornecer uma perspectiva valiosa, expertise e experiência em áreas específicas da legislação, auxiliando na realização de auditorias fiscais, na defesa em processos administrativos e judiciais e no planejamento”, observa.

Entre desafios, custos e riscos

As indicações do advogado não são por acaso. Investidores enfrentam uma série de obstáculos no país como, por exemplo, a dupla tributação, que é a cobrança de dois ou mais impostos sobre o mesmo bem, serviço ou direito, na mesma jurisdição tributária, ou em jurisdições diferentes, resultando em um ônus fiscal elevado e desproporcional.

Essa prática pode ser interna ou internacional. A interna ocorre quando um único ente federativo – seja a União, os estados ou os municípios – institui mais de um tributo sobre o mesmo fato gerador. Já a internacional acontece quando dois ou mais países cobram impostos sobre o mesmo lucro, renda ou patrimônio.

Existem alguns mecanismos e instrumentos jurídicos disponíveis. No âmbito internacional, o Brasil possui Acordos para Evitar a Dupla Tributação (ADTs) com diversos países, com regras para dividir o direito de tributar. Esses acordos também servem para prevenir a evasão e a elisão fiscais, pois estabelecem procedimentos para o intercâmbio de informações entre as autoridades fiscais dos países signatários.

“Esses trâmites, no entanto, geram custos altos em despesas monetárias com aconselhamento jurídico e fiscal, de tempo e de recursos humanos alocados, pois compreender e aplicar corretamente as disposições dos ADTs requer um alto nível de expertise em direito tributário internacional”, comenta o advogado.

Embora o ideal seja a conformidade desde o início das operações no país, na prática, muitas empresas se adequam gradualmente à legislação tributária., o que acaba gerando diversos riscos, como multas e juros, ações judiciais ou administrativas, e dano à reputação.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *