Segurança psicológica dos colaboradores segue como grande desafio das empresas brasileiras
Especialista em saúde mental explica como as organizações podem melhorar o aspecto emocional de seus funcionários
A estabilidade emocional no ambiente corporativo segue como um grande desafio das empresas no Brasil. De acordo com dados do relatório global interno da Fearless Organization, a pontuação média de segurança psicológica no país está entre 6,2 e 6,8 em uma escala de 0 a 10. O valor fica atrás da média global, de cerca de 7,1.
O levantamento ainda revela que o medo de consequências negativas ao expressar opiniões ou levantar problemas e cultura hierárquica e baixa confiança na comunicação com a liderança são os principais aspectos da insegurança dos profissionais, mencionados por aproximadamente 45% dos entrevistados.
Para Patrícia Bandeira, Co-founder da ILoveMyJob, hub especializado em marca empregadora, a questão cultural é um dos fatores que colaboram com esses indicadores no Brasil. “Culturalmente, os brasileiros têm o costume de não quererem se indispor. Isso faz com que muitas pessoas não manifestem opiniões contrárias ou não se posicionem para não parecerem chatas ou diferentes do senso comum. Essa combinação pode ser perigosa para o colaborador”, afirma a especialista.
Para ajudar líderes e equipes a enfrentar cenários de instabilidade emocional, Patrícia Bandeira lista algumas medidas que podem fortalecer a segurança psicológica no ambiente de trabalho.
1.Liderança atenta
É fundamental que os gestores das organizações tenham clareza dos sentimentos de seus colaboradores. Os líderes precisam se atentar e estarem preparados para oferecer feedbacks e criar uma ambiente acolhedor e de escuta ativa.
2.Comunicação clara
Ao identificar casos de instabilidade emocional, é fundamental que a liderança preste assistência e apoio ao colaborador de forma empática e segura. Ouvir com atenção a causa do dano à saúde mental é o primeiro passo para entender as queixas e aplicar estratégias alinhadas a quadros como ansiedade, estresse e depressão.
Em casos extremos, é necessário investir em ações de tratamento da saúde mental e atividades que façam com que os profissionais voltem ao equilíbrio. Oferecer benefícios ligados à psicoterapia, grupos de apoio e iniciativas de suporte emocional são iniciativas eficientes para combater o adoecimento psíquico ou o burnout no ambiente corporativo.
“As organizações que têm mais segurança psicológica conseguem mais inovações e consequentemente atingem melhores resultados. Para isso, é preciso engajar cada vez mais. O espaço de trabalho precisa ser colaborativo, quanto mais vozes e diversidade a empresa tiver, mais soluções ela pode encontrar”, finaliza Patrícia.


