Copom pode manter taxa Selic em 13,75%

Copom será um fator determinante para os preços na Bolsa
O sentimento do mercado nesta sexta-feira (30) foi de forte pressão, refletindo fatores domésticos e externos, balanços corporativos frustrantes e incertezas sobre o futuro da política monetária. E esse é o pano de fundo para a próxima semana, que trará a decisão de juros no Brasil. Vale lembrar que, na última quarta-feira (28) houve a manutenção das taxas nos Estados Unidos, com um tom ainda contracionista por parte de Kevin Warsh. Dois diretores, inclusive, votaram por um aumento da taxa, evidenciando que o balanço de riscos segue elevado por lá, especialmente devido à inflação persistente e à resiliência da economia norte-americana. Isso reprecifica os juros em âmbito global.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir na próxima semana. Segundo a economista Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, as expectativas seguem divididas. “Observando o mercado de opções e derivativos na B3, a aposta majoritária é de manutenção da Selic no patamar de 13,75%. Na última reunião, o Comitê deixou a porta aberta para um eventual corte caso a inflação se acomodasse, e ainda existe uma pequena parcela do mercado que acredita em uma redução de 0,25 ponto percentual”, explica.
E economista destaca que dada a ausência de definições claras sobre o rumo fiscal por parte do novo governo Lula, o Copom será um fator determinante para os preços na Bolsa. “Se o Comitê optar pela manutenção dos juros, isso tende a acalmar os ânimos, pois demonstrará que o Banco Central segue atento ao balanço de riscos e à sistemática da política econômica relacionada ao fiscal. Por outro lado, um corte na taxa pode ser encarado com pessimismo, visto que o desajuste fiscal projetado para o ano que vem tenderia a pressionar novamente a inflação para cima”.
Bruna Centeno afirma que o contexto é bastante delicado, e o Copom deverá dar o direcionamento do mercado. “Com a manutenção da taxa, a tendência é que o mercado fique um pouco mais tranquilo, pois reforça a credibilidade de que a instituição fará o trabalho que precisa ser feito. Já um corte seria uma surpresa negativa e poderia derrubar ainda mais o Ibovespa, que hoje tenta se segurar no patamar dos 116 a 117 mil pontos, em um clima de fechamento negativo”.
Manutenção dos juros em novembro e dezembro
Também Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, espera que o Copom mantenha a taxa Selic em 13,75% na reunião da próxima semana, assim como em dezembro. Ele lem,bra que desde a última reunião do Copom houve uma sequência mais negativa para as expectativas de inflação, apesar do IPCA-15 de setembro mais baixo que o esperado. O petróleo têm se mantido acima de US$ 110 por barril e o câmbio está ao redor de R$ 5,40 por dólar, fatores que sustentados no tempo devem pressionar a inflação no horizonte relevante para o Banco Central. “Esperamos que a inflação termine 2027 ao redor de 5,30%, significativamente acima da meta de 3%”, afirma
Mesmo com a desaceleração da atividade econômica já afetando setores mais sensíveis ao nível de juros, o mercado de trabalho continua apertado e sustenta projeções para a inflação do setor de serviços acima de 6%. O comunicado deve mostrar projeção de inflação acima da meta no horizonte relevante, mantendo o viés de alta, motivado pelo cenário externo e por novas despesas contratadas pelo governo para o próximo ano durante o período eleitoral (reajuste do Bolsa Família, ampliação do MEI, extinção das bets, entre outras), que tendem a aumentar o consumo das famílias.
Diante desta evolução e do nível de preços de mercado que se deteriorou, Camilo Cavalcanti entende que o Copom pausará o ciclo de cortes de juros neste momento para absorver novas informações e aguardar uma estabilização nos preços do mercado, reavaliando a trajetória esperada diante das novas condições.








