O que esperar em 2016

Gilmar Mendes Lourenço.
Gilmar Mendes Lourenço.

As sucessivas rodadas de divulgação dos indicadores conjunturais mensais, apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e por entidades representantes da iniciativa privada, permitem contemplar o aprofundamento do buraco recessivo do País, cavado pelas autoridades econômicas, e o seu respectivo prolongamento temporal.

Se, em 2014, os brasileiros eram infelizes, e o marketing governamental eleitoral não lhes permitia saber e/ou reconhecer, em 2015, a constatação da flagrante discrepância entre as promessas de campanha e a prática da política econômica provocou o derretimento da maquiagem e o rápido ressurgimento da perversa combinação entre a expressiva queda da capacidade de consumo das famílias, com a escalada do desemprego e da inflação, e o não menos acentuado declínio dos lucros privados, principal sintoma de deterioração da capacidade de expansão econômica sustentada.

O acelerado e contínuo agravamento daquelas distorções vêm oportunizando prospecções centradas na perda do restante do ano de 2015 e, em uma hipótese otimista, do exercício completo de 2016. Isso porque, o Brasil está absolutamente acéfalo de uma orientação macroeconômica consistente, voltada ao arrefecimento das pressões inflacionárias, ao reequilíbrio das finanças públicas e ao abrandamento da vulnerabilidade externa.

Predomina o emprego de ações improvisadas e desencontradas no interior do executivo que o levou, inclusive, à inédita e constrangedora situação de encaminhar, ao legislativo, uma peça orçamentária deficitária na contabilidade primária, para 2016, contra a vontade do ministro da fazenda, diga-se de passagem, e que teria custado a perda do grau de investimento (selo de bom pagador), concedido ao Brasil pela agência de rating Standard & Poor´s (S&P).

No afã de reparar o erro e evitar que outras entidades repetissem o gesto da (S&P), o que fragilizaria ainda mais as condições de captação de recursos externos, pelo governo e organizações públicas e privadas brasileiras, o staff econômico do palácio do planalto enviou nova proposta de orçamento, desta vez superavitária, subordinada predominantemente, à elevação da carga tributária, que já é uma das maiores do planeta, algo que soa absolutamente insustentável em clima de intensificação do curso recessivo.

Não bastasse o déficit de estratégia de fundamentos da estabilização, o País padece de um projeto de longo prazo, focado em um segundo estágio de reformas estruturais – fiscal, tributária, previdenciária, patrimonial, trabalhista, financeira, entre outras – depois do plantio dos anos 1990, capaz de proporcionar a redução estrutural do custo Brasil – determinado pela crônica ineficiência do setor público, multiplicada pelo aparelhamento partidário corporativo, a partir de 2003, elemento chave para o surgimento e avanço de práticas organizadas de desvios de recursos públicos, expressas no fisiologismo do mensalão e do petrolão – e a obtenção de ganhos de eficiência da microeconomia, proporcionados pela impulsão de inversões em infraestrutura, educação e inovação.

A reduzida probabilidade de reversão do cenário desfavorável, em face da assustadora tendência de compressão da legitimidade do governo – que já teria caído em um regime parlamentarista – e da credibilidade do Congresso, deverá bloquear o encaixe da nação na fase de recuperação moderada, porém generalizada, atravessada pela economia mundial, em um contexto de inevitável subida dos juros nos Estados Unidos e subsequente rearranjo dos portfolios financeiros, em detrimento de mercados como o brasileiro, carentes de racionalidade na gestão econômica.

No final das contas, a competividade do aparelho produtivo do País na fronteira internacional permanecerá dependendo da conjugação entre depreciação do real (ocasionada pela firme valorização do dólar, em escala global, e pela volatilidade política e econômica doméstica) e ganhos de produtividade do agronegócio, o eterno salvador da pátria, mesmo com a estabilização das cotações das commodities alimentares.

Ainda assim, cumpre reconhecer que as iniciativas de varejo da administração econômica de Dilma Rousseff podem ser consideradas inovadoras e ousadas. O empenho realizado no endereçamento, à Casa de Leis, das previsões de contas para 2016 com rombos, representando um autêntico atestado de incompetência, foi recompensado com a supressão do investment grade pela (S&P).

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, economista, consultor, professor e Editor da Revista Vitrine da Conjuntura da FAE Business School, Ex-Presidente do IPARDES.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *