Trecho do PL das offshores pode tirar R$ 275 milhões dos cofres públicos

Trecho do PL das offshores pode tirar R$ 275 milhões dos cofres públicos

                                                                                                 Crédito da foto: Marcos Oliveira / Agência Senado

Projeto é considerado um dos mais importantes dentro do plano do ministro da Fazenda, Fernando Haddad

O Projeto de Lei que propõe a taxação das offshores, dos fundos exclusivos e dos fundos imobiliários foi aprovado na última quarta-feira (22) na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Sem emendas ao texto aprovado na Câmara dos Deputados, a proposta deve ser submetida ao Plenário do Senado nesta terça-feira (28).

Sob relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o PL conta com um “jabuti” que pode significar um rombo de R$ 275 milhões nos cofres públicos. O motivo é o trecho da proposta que estabelece uma sistemática anual de apuração do imposto de renda para pessoas físicas, deixando de ser mensal como é atualmente.

O projeto é considerado um dos mais importantes dentro do plano do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para elevar a arrecadação e zerar o déficit fiscal em 2024. Por isso, o Governo Federal fez um grande esforço para que o PL fosse votado ainda na semana passada. Contudo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), priorizou outras pautas, se comprometendo a colocar em votação esta semana.

É preciso aprovar o projeto ainda em novembro, mês em que vence a Medida Provisória relativa ao tema. “Essa medida é necessária porque é saneadora, arrecadatória e faz justiça tributária”, argumenta o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE).

O argumento principal contra a alteração está relacionado à isonomia tributária. Especialistas afirmam que, ao propor a tributação anual para aplicações financeiras no exterior, a proposta cria uma disparidade com outros ativos financeiros de mesma natureza líquida no Brasil, como investimentos em renda variável e fixa, que permanecem com o cálculo mensal.

De acordo com o Ministério da Fazenda, cerca de 2,5 milhões de CPFs brasileiros investem em aplicações financeiras líquidas no exterior, totalizando um investimento estimado em R$ 50 bilhões. Este cenário contribui significativamente para a arrecadação mensal do governo, estimada em R$ 7 bilhões para 2024. Entretanto, a proposta de alteração da sistemática de tributação, passando de um regime mensal para um regime anual, pode gerar uma perda inflacionária de R$ 275 milhões no próximo ano, considerando a projeção de 3.9% de inflação.

Tributaristas contrários à proposta alegam que, do ponto de vista do contribuinte, a mudança para uma tributação anual dificulta o controle mensal e o planejamento financeiro, causando confusão e desigualdade em relação a outros ativos financeiros no país. Além disso, a postergação da arrecadação para até 15 meses após o ganho de capital ser percebido impacta diretamente as finanças individuais.

Já do ponto de vista das contas públicas, a alteração proposta pelo PL pode diminuir o volume mensal arrecadatório, afetando a meta fiscal do governo para 2024. A arrecadação que entraria nos cofres públicos mensalmente seria adiada para 2025, gerando uma lacuna no orçamento e dificultando o cumprimento das obrigações fiscais.

Diante dessas considerações, especialistas propõem uma revisão no texto do projeto. Sugere-se a manutenção da apuração mensal (regime de caixa) na tributação das aplicações financeiras no exterior com natureza líquida, de forma a preservar a isonomia tributária, evitar a perda inflacionária e garantir uma arrecadação consistente para o governo.

Hélcio Honda, sócio fundador do escritório Honda, Teixeira, Rocha Advogados, afirma que o PL é bem-intencionado ao adaptar a legislação brasileira para offshores e fundos exclusivos aos padrões da OCDE.

“A aprovação também coaduna com os esforços do Governo Federal em ampliar a base de arrecadação, movimento legítimo, ainda que questionável. Porém, o PL deveria rever a posição ao englobar aplicações financeiras no exterior por pessoas físicas, hoje já submetidas a taxação mensal. Ao prever a anualização de um imposto pago mensalmente, o governo traz um complicador, pois dificulta a vida do contribuinte, obrigando-o a manter um controle paralelo para as aplicações no exterior, e impacta a arrecadação federal, retirando do volume mensal parte relevante de um imposto arrecadado atualmente. A simplificação tributária deve ser um alvo sempre perseguido”, afirma o advogado.

Caso o projeto seja aprovado, os efeitos se dariam a partir de janeiro de 2024, tornando obrigatório o recolhimento anual para a pessoa física. Esse cenário, segundo críticos, poderia comprometer o planejamento financeiro individual, ferindo o princípio da segurança jurídica, crucial no campo tributário.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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